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Aula da Morinth - 1º

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Aula da Morinth - 1º

Mensagem por Morinth em Sab Maio 31, 2014 5:21 pm

show me the pain
and I’ll show you the real darkness

Em determinados momentos da vida há situações que não podemos resolver, pelo menos não sozinhos. Faz-se necessário a ajuda de terceiros, a qual nem sempre é bem vista ou muito bem aceita por aquele que precisa de tal. Se para pessoas comuns a ajuda de outros era um fardo, para a realeza era o dobro do pesar; era como se ser quem era e ter o poder que tinha subjugassem-se ao outro, tornando-o importante... Tornando-o necessário de uma forma indesejada. A sua situação naquele momento era essa. E ela gritava internamente em oposição ao que sabia que necessitava. Estar sozinha durante aquele período frágil não era uma ideia inteligente, porém estar com outros era algo que lhe feria o ego e destroçava o orgulho. A necessidade tornava-a mais rancorosa em relação ao lugar chamado Terra.

Seus passos eram lentos e mais curtos, arrastados. Seus olhos estavam carregados de choque e suas sobrancelhas unidas pela mesma expressão franzida de angustia. Ela queria gritar, mas conteve. Queria correr, mas andou. Queria matar, mas não tinha como. Todos seus desejos e vontade suprimidos e reprimidos pela impotência. Seus poderes reduzidos para meros poderes infantis quando sua pedra de poder sumira; reduzidos para os meros poderes que teria não fosse Snaga. Para poderes que não tinham nem a metade da potencia que esbanjava em Odraz. Ela sentia-se retraída e desconfortável naquele corpo oco e ensosso; sentia-se nervosa quando ouvia como sua própria voz soava ao falar. Seus olhos claros a incomodavam e olhar no espelho, uma atitude tão comum e adorada por ela, acabou tornando-se um mártir como se a superfície espelhada zombasse da Rainha naquela forma humana.

“Você sabe o que é dor?”

Os sussurros de uma lembrança invadiram-lhe a mente quando sua imagem humana refletiu-se no vidro de uma loja. Ela fitou a sua eu estranha procurando semelhanças consigo mesma que não conseguia enxergar. A voz da memória era a sua própria, não esta voz única e doce que saia desses lábios vermelhos, e sim a sua voz que soava como mil vozes. Sua voz poderosa, suprema, a voz de  uma Rainha de Odraz.

“Você me ouve, não? Consegue assimilar o que eu digo, consegue sentir quando lhe tocam, consegue ver o que há em sua frente. Mas, meu caro, você nunca entendeu, sentiu ou viu tamanha dor e sofrimento que eu sou capaz de propiciar. Não ainda...”

Alguém apareceu junto a imagem de Morinth, atrás dela um homem bem vestido sorria-lhe de uma forma quase gentil. Seu impulso era arranca-lhe os órgãos com a mão simplesmente por ousar dirigir seu olhar à ela, porém não tinha suas garras, nem sua força para tal. E felizmente não as possuía, caso contrário não seria convidada para ir para o Instituto Shaw.

( . . . )
Talvez ela estivesse atrasada para o que os seres daquele lugar denominaram de “aula”, todavia não importava-se com tal fato. O sol já surgia ao céu e seus raios luminosos incomodavam de maneira quase audaciosa os olhos daquela carcaça humana. A Rainha levantou-se irritada da cama em que dormia, praguejando aos quatro cantos em dialetos desconhecidos por aqueles à sua volta. Não fosse o sol da Terra ela teria continuado a dor e ignorado por completo a existência das tais aulas comentadas.

Como se todo aquele lugar já não fosse bizarro o bastante eles ainda banhavam-se numa espécie de aparelho de metal que escorria água. Era uma tecnologia primitiva – e a qual dava mais preguiça do que tudo quando a água tocava aquele corpo humano. Nem comentarei sobre os shampoos, afinal, pra que tanto tipo? Resumindo, depois de vários minutos – e algumas horas já que vestir-se era algo bem complicado com aquele monte de blusas e casacos estranhos –, Morinth finalmente desceu à sala lhe indicada para ter sua primeira aula, seja lá o que isso fosse exatamente.

A sala era grande e abrigava vários outros seres que não necessariamente portavam-se como ou eram humanos. Um homem estava de pé de frente para os outros que sentavam-se em carteiras que em nada agravam a mulher. Ela passou o olhar rápidos pelos rostos dos presentes, a maioria pareciam novos como ela o que seria um alívio não fosse ela saber que na Terra a sua idade original seria 56 anos, e não por volta dos 20 como aparentava. Ou seja, naquele ambiente ela poderia ser até mesmo mais velha que aquele que chamavam de professor. Não pela primeira, e nem pela última, Morinth indagou-se porque estava ali realmente. A resposta imediata que veio em sua mente a irritou.

Ela sentou-se numa cadeira que julgou não ser tão desagradável como as demais – apesar de nenhum daqueles móveis ser digno dela –, e não muito depois o professor começou sua narrativa sobre o que era e como se utilizava de modo correto a lábia. Morinth era uma Rainha em seu planeta, uma conquistadora de mundos, lábia era algo que precisava imensamente para conseguir certas coisas, por isso enquanto o tal professor falava sua atenção estava parcialmente voltada para ele e parcialmente voltada à suas memórias, como se quisesse reafirmar o que ele dissesse baseando-se em suas próprias experiências.

As regras eram simples e algumas eram tão óbvias que Morinth perguntou-se se realmente fazia-se necessária a explicação de tais. Nas três primeiras regras a memória veio como um flash em sua mente. Ela era ela novamente na lembrança: cabelos brancos, olhos totalmente negros, garras, presas, poder. Sua roupa esbanjava toda a magnificência que a rainha de Odraz deveria e possuía, não eram aqueles trapos esquisitos e complicados dos terráqueos. Na memória a mulher movia-se sutilmente em meio ao discurso para com um krogan, uma raça repetiliana que vive num planeta hostil e com poucos recursos, com o qual já possuía certa intimidade por conta de relações comerciais.

“Vocês são fortes e habilidosos, isso é um fato óbvio e irrefutável, contudo o planeta de vocês quase já não possuí recursos para sustentar a sua população, não é?”

A sua eu da memória parou de falar enquanto a sua eu real prestava atenção outras regras que o professor continuava a citar.

“Entendo seu ponto de vista, e que queira evitar uma guerra que poderia destruir o planeta, mas o que você prefere, meu caro, ter um planeta desolado como está agora ou conseguir preservar a existência dos Krogans?”

As últimas duas regras quase a fizeram rir. Não um riso de escárnio, mas uma risada real. Eram regras tão óbvias e tão úteis que a menção delas em voz alta tornava-se cômica. Morinth já usara muito das duas, a penúltima especialmente em raças machistas ou que se achavam muito superiores à todos – pobres coitados, inflados pelo ego e pela certeza de que não falhariam, quando no fim acabavam tendo todas as suas certezas escorridas para o erro. E, o que falar sobre a chantagem? Não era essa uma forma tão eficaz de ter o que se queria? Às vezes a chantagem não era nem ao menos por uma troca real, bastava fazer com que seu oponente acreditasse fortemente nela, afinal, o medo era um forte condutor da aceitação.

Suas memórias pausaram-se na cena em que o krogan concordava por fim com os termos e ideias da Rainha. Um sorriso de presas fora mostrado pela ela da recordação antes que os seus pensamentos do presente voltassem-se completamente para o interlocutor denominado Sebastian Shaw. Aparentemente os alunos deveriam responder determinadas questões à seguir o que em nada agradou Morinth. Como assim ela deveria responder questões? Como se não bastasse estar presava naquele lugar, naquele corpo e sem seus poderes totais, ainda deveria responder obedientemente à indagações. Apesar da revolta que sentia ela não a demonstrou, não se oporia às exigências simplórias que eles a demandavam, pelo menos não por enquanto.

1. Você deve iniciar uma conversa para convencer alguém independente de qualquer situação?
Não, obviamente. A primeira coisa a analisar antes de começar o processo de persuasão é verificar se a pessoa está disposta à ouvir o que você tem para dizer, caso contrário apenas irá perder-se tempo tentando ser cortês quando na verdade a pessoa está apenas ignorando tudo o que você está a dizer sobre o assunto.

2. Ao gaguejar durante uma conversa o que significa isso para quem está ouvindo?
Nervosismo, o que basicamente numa conversa significa mentira, já que a falta de convicção no que se diz causa esse tipo de gagueira. Logo, se houver uma situação em que o nervosismo leve a gagueira todo o trabalho e desempenho até então alcançado na persuasão será levado por água abaixo já que seu receptor poderá interpretar que tudo o dito antes foram mentira.

3. Não permita que a pessoa lhe contra argumente. Essa afirmação é verdadeira ou falsa. Explique porque.
É claramente falsa. Em um processos de convicção você deve escutar o que a outra pessoa tem a dizer, mesmo que vá contra seus objetivos e ideologias você deve ouvir o que ela tem a dizer, deste modo você pode formular contra-argumentações melhores ao que ela vem a dizer além de deixar uma sensação na conversar que a pessoa tem voz também e o diálogo não é um monólogo impositor.

4. Façam um discurso em 15 linhas me convencendo de que merecem tirar nota máxima nesse exercício.
Bom, caro professor Sebastian, primeiramente eu queria deixar bem claro que nunca antes precisei estar presente em algo como “aula”, que é como vocês denominaram a forma de aprendizado aqui na Terra, por este motivo é bem provável que possa ter vindo a me enganar em alguma de minhas respostas e argumentações. Caso não tenha, então ou o senhor é um professor incrível ou eu uma aluna extraordinária; seja qual for a sua opção de escolha para essa questão isso apenas mostraria que tenho capacidade para aprender mais e mais, assim como tirar notas excelentes.

Discursar para a obtenção de nota não é e nunca foi uma realidade para mim, já que tal coisa assimilasse à uma forma de imploração menos humilhante, e creio que o senhor tão pouco gosta de realizar tal coisa também. Afinal, pessoas poderosas como nós não deveriam abaixar a cabeça, certo? Apesar disso, aqui estou tentando realizar tal tarefa imposta por ti, por respeito a pessoa que és ou porque se tenho que ficar na Terra então o melhor é seguir os padrões impostos – por enquanto, pelo menos – sinceramente não sei responder-lhe.

Apesar dos pesares, a aula foi bem produtiva para mim, afinal é sobre algo o qual estou acostumada e não relacionada à essas coisas diferentes e estranhas que os humanos usam e gostam. Lábia, no fim é algo bem necessário, não acha?  Não é só uma questão de seguir regrinhas caso fosse então todos seríamos perfeitos nesse quesito. Não, você e eu sabemos que isso é uma questão que precisa-se desenvolver com certo tempo; como um relacionamento ele precisa ser construído aos poucos até que mesmo sem se ter a certeza sobre isso haja no mínimo um pingo de dúvida sobre. Por isso, para não alongar mais o que devo dizer, deixarei-o pensar sobre quanto deveria me dar nesta aula. Mas, lembre-se é claro, que meu desempenho reflete o seu desempenho como educador, afinal apesar de apenas ser uma aluna sou uma aluna excepcional e falhar em sua matéria seria tão bom para mim quanto seria para o senhor.


Ela levantou-se e com seu olhar frio e vazio fitou o professor por alguns segundos. Um ligeiro sorriso malicioso formou-se naqueles lábios rubros antes de ela virar-se em direção à porta e dirigir-se à saída. Assim que já estava do lado de fora o sorriso já não desenhava seu rosto e as lembranças já não batucavam em sua mente. Pelo menos não até ela vir-se no espelho, então, uma frase antiga dita pela sua verdadeira voz voltou à sua mente.

“Você sabe o que é dor?”


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