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Missão O resgate sobrenatural

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Missão O resgate sobrenatural

Mensagem por Cloud em Sab Mar 21, 2015 11:13 pm

Missão: O resgate sobrenatural

Off: Fiz com tema livre.


Vincent recebe uma mensagem em seu celular e vai direto a sala de seu instrutor, que o leva a sala do comandante. Lá Nick Fury estava imponente em sua mesa e ao perceber a entrada de Vincent, indica a cadeira e diz:

-"Sente-se Cloud, hoje vou te dar sua primeira missão, terá de invadir o covil de vampiros com sua parceira temporaria, Gaia e nos trazer amostras do DNA do líder. A missão é simples, regatar o agente Simon Clark, ex parceiro de Gaia, Ficou claro? O DNA é essencial, precisamos para nossos cientistas"

Vincent não sabia que iria trabalhar em dupla, ainda mais com uma pessoa que nunca tinha visto, mas quando se preparava para responder, Gaia entra na sala, uma jovem de cabelos vermelhos trançados e pele branca como a neve, trajando couro negro. Antes que Vincent pudesse pensar em qualquer coisa, Nick continuava:

-"Ótimo, dispensa apresentações...Agora poderão falar com Magnus, já enviei o endereço para seus smartfones.

E ambos saem, e se dirigem ao apartamento do agente Magnus.

Dessa vez Magnus respondeu, sua voz se expandindo através da pequena entrada:
— QUEM OUSA PERTURBAR MEU DESCANSO?
Vincent pareceu quase nervoso.
Vincent Eldoras. Se lembra? Ou Cloud, Eu sou Recruta.
Ah, sim — Magnus pareceu recuperar-se — você é aquele de olhos negros?
— Ele quer dizer o Clint — Gaia percebeu.
Não, os meus olhos são geralmente descritos como azuis — Vincent — e luminosos.
Ah, você é aquele — Magnus soou desapontado. Se Gaia não estivesse tão chateada, ela poderia ter rido. — Eu suponho que você queira entrar.
O agente apareceu em sua porta usando um quimono de seda pintado com dragões, um turbante dourado e uma expressão aberta de aborrecimento.
— Eu estava dormindo — ele disse grandiosamente.
Vincent olhou como se estivesse prestes a dizer algo rude, possivelmente sobre o turbante, então Gaia interrompeu.
— Desculpe incomodá-lo...
Algo pequeno e branco surgiu em torno dos tornozelos de Magnus. Ele tinha listras cinza em ziguezague e orelhas com tufos rosa que o faziam parecer mais com um grande rato do que com um pequeno gato.

Gaia observou o pequeno gatinho com algum desprezo.
Não é um gato — ela observou — é do tamanho de um hamster.
Eu vou gentilmente esquecer que você disse isso — Magnus comentou, usando o pé para cutucar o gato para trás dele — agora, exatamente o que você veio fazer aqui?
— É Simon. Ele está sumido.
Ah — disse Magnus, delicadamente — sumido como, exatamente?
Sumido — Vincent repetiu — ele se foi, é notável a falta de sua presença, desapareceu.
Talvez ele tenha se escondido debaixo de alguma coisa — Magnus sugeriu — pode não ser fácil se acostumar a ser um rato, principalmente para alguém tão estúpido, em primeiro lugar.
Simon não é estúpido — Gaia protestou com raiva.  seu tom era leve, mas seus ombros estavam tensos quando ela se virou para Magnus. Magnus olhou para ele.
E?
— E eu preciso descobrir quem foi
— Vincent disse progressivamente — desconfio que você saiba. Você influente no Brooklyn. Eu estou imaginando que não há muito coisa que aconteça em seu próprio apartamento que você não saiba.
Magnus inspecionou uma unha brilhante.
Você não está errado.
— Por favor, nos diga
— Gaia pediu.
Vincent apertou a mão em seu pulso. Sabia que ele queria que ficasse calma, mas era impossível. Magnus desceu a mão com um suspiro.
Tudo bem. Eu vi um dos garotos vampiros de moto vindo do covil na cidade sair com um cara de marrom em suas mãos. Sinceramente, eu pensei que era um dos seus. Crianças da Noite às vezes se transformam em morcegos quando estão bêbados.
As mãos de Gaia estavam tremendo.
— Mas agora você acha que era Simon?
— É só um palpite, mas parece provável.

Há mais uma coisa — Vincent falou calmo o suficiente, mas ele não estava alerta agora, da mesma forma como tinha estado antes quando eles encontraram o Comandante. — Onde é o covil deles?
Deles quem?
— O covil dos vampiros. Esse é o lugar para onde eles foram, não é?
— Eu imagino que sim
— Magnus pareceu como se preferisse estar em outro lugar.
Você precisa me dizer onde é.
Magnus sacudiu sua cabeça com turbante.
Não estou certo sobre o lado ruim das Crianças da Noite para um recruta, eu nunca vou saber.
Espera — Gaia interrompeu — o que eles querem com Simon? Eu pensei que não estavam autorizados a machucar as pessoas...
Meu palpite? — disse Magnus, não cruelmente. — Eles presumiram que fosse um jovem qualquer e pensaram que seria divertido matar um animal de estimação da SHIELD. Eles não gostam muito que vocês, seja lá o que o Pacto diga – e não há nada no Pacto sobre não matar animais.
Eles vão matá-lo? — Vincent perguntou, fitando-o.
Não necessariamente — Magnus disse rapidamente — eles podem pensar que ele é um dos seus.
Neste caso, o que vai acontecer com ele? — Gaia perguntou.
Bem, se ele contar alguma coisa útil, eles ainda vão matá-lo. Mas você pode ter algumas horas a mais.
Então você tem que nos ajudar — Gaia disse a Magnus — caso contrário, Simon irá morrer.
Magnus olhou para ela de cima a baixo com um tipo de compaixão cínica.
— Todos eles morrem querida. Você precisa se acostumar a isso.

Ele começou a fechar a porta. Vincent colocou seu pé, mantendo-a aberta. Magnus suspirou.
— O que é agora?
— Você ainda não nos disse onde é o covil.
— E eu não vou dizer. Eu te disse...

Foi Gaia quem o cortou, colocando-se em frente a Vincent.
— Você bagunçou com meu cérebro. Tirou minhas esperanças. Você não pode fazer só isso por mim?

Magnus rolou seus olhos brilhantes de gato. Em algum lugar à distância, Presidente Miau estava chorando. Lentamente Magnus baixou sua cabeça e a bateu uma vez, não muito suavemente, contra a parede.
— O velho Hotel Dumort. Na parte alta da cidade.
— Eu sei onde é
— Vincent parecia satisfeito.
Precisamos chegar logo. Você tem um transporte? — Gaia exigiu, abordando Magnus.
Não — ele pareceu irritado —  Agora, vão embora.
Magnus encarou mordazmente o pé de Vincent, que continuava a bloquear a porta. Vincent concordou, dando um passo para trás.
— Essa é...

A porta bateu em suas caras. Gaia, respirando como se estivesse correndo, encarou a porta até que Vincent tomou seu braço e dirigiu seus passos para a rua e para a noite.

Off: Continua, não deu tudo neste post


Última edição por Cloudz em Sab Mar 21, 2015 11:21 pm, editado 1 vez(es)

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Just a shot in the dark

"Eu admito que não sou anjo, eu admito que não sou santo.  Eu sou egoísta e eu sou cruel e eu sou cego. Se eu exorcizar meus demônios, bem, meus anjos podem sair também.  Quando eles saem são tão difíceis de achar..."
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Re: Missão O resgate sobrenatural

Mensagem por Cloud em Sab Mar 21, 2015 11:13 pm



Eles eram os únicos passageiros no vagão do metrô voltando para a zona residencial.
Gaia sentou-se sem falar, pensando em Simon. De vez em quando, Vincent olhava para ela como se estivesse prestes a dizer algo, antes de voltar a se perder em um silêncio não característico.
Quando saíram da estação de metrô, as ruas estavam desertas, o ar pesado e com gosto de metal, as lojinhas, lavanderias e os centros de troca estavam em silêncio atrás de suas portas de aço ondulado na hora noturna. Eles finalmente encontraram o hotel, depois de uma hora de procura, em uma rua lateral ao longo da 116. Passaram ele por duas vezes, pensando que fosse apenas mais um edifício abandonado, antes de Gaia ver a placa. Era imprecisa como se feito à mão e pendurada escondida atrás de uma árvore atrofiada. Antes deveria estar escrito HOTEL DUMONT, mas alguém tinha pintado o N e substituído com um R.
Hotel Dumort — Vincent leu quando ela apontou a placa — lindo.
Vincent tinha só tinha dois anos de francês, mas foi o suficiente para entender a piada.
Du mort — ela entendeu — é a morte.
Vincent acenou. Ele tinha ficado todo alerta, como um gato que vê um rato se movendo atrás de um sofá.
Mas não pode ser o hotel — disse Gaia — as janelas estão todas tampadas, e a porta foi murada... Ah — ela terminou, sacando o olhar dele. — Certo. Vampiros. Mas como eles entram?
— Eles voam
— Vincent respondeu, e indicou os andares superiores do edifício.
Uma vez, claramente, deveria ter sido um elegante e luxuoso hotel. A fachada de pedra era elegantemente decorada com cacheados esculpidos e flores-de-lis, escuras e corroídas pelos anos de exposição ao ar poluído e a chuva ácida.
Nós não voamos — Gaia se sentiu impelida a chamar atenção pra isso.
Não — Vincent concordou. — Nós não voamos. Nós quebramos e entramos.
Ele começou a atravessar a rua em direção ao hotel.
Voar parece mais divertido — Gaia replicou, correndo para alcançá-lo.
Agora tudo parece mais divertido.
Ela se perguntou o que Cloud quis dizer com isso.
Havia um entusiasmo, uma antecipação da caçada que não o tornava tão infeliz quando ele alegava. Ele matou mais demônios do que qualquer um de sua idade. Você não mataria aquela quantidade de demônios e depois voltaria atrás relutante de uma luta.
Um vento quente passou no alto, agitando as folhas das árvores raquíticas de fora do hotel, levando o lixo das sarjetas e da calçada, balançando o pavimento quebrado. A área estava estranhamente deserta, Vincent pensou. Geralmente, em Manhattan, havia sempre alguém na rua, mesmo às quatro da manhã. Várias das luzes da cidade alinhadas na calçada estavam desligadas, embora a de um hotel mais próximo soltasse um turvo brilho amarelo em todo o percurso rachado que levava ao que tinha sido a porta da frente.
Fique fora da luz — Vincent recomendou, puxando-a em direção a ele — podem estar vendo das janelas. E não olhe para cima — ele acrescentou, mas era tarde demais.
Gaia já tinha olhado para as janelas quebradas dos pisos superiores. Por um momento, meio que pensou ter vislumbrado uma cintilar de movimento em uma das janelas, um flash branco que poderia ter sido um rosto ou uma mão puxando de volta a pesada cortina...
Vamos lá.
Vincet a puxou para evaporarem-se nas sombras mais próximas do hotel.
Ela sentiu seu crescente nervosismo na espinha, na batida de seu pulso, no forte batimento do sangue em suas orelhas. O zumbido de carros parecia muito mais distante, o único som era o de seus sapatos sobre o lixo da calçada. Gaia desejou poder andar silenciosamente, como um gato. Talvez algum dia pedisse para Natasha ensinar.
Escorregaram na esquina do hotel para um beco que tinha provavelmente sido uma área de serviço para as entregas. Era estreito, bloqueado com o lixo: bolorentas caixas de papelão, garrafas de vidro vazias, plástico rasgado, espalhando coisas que à primeira vista Gaia pensou que fossem palitos, mas de perto pareciam como...
Ossos — Vincent disse sem rodeios — ossos de cachorro, de gato. Não olhe muito de perto, passar pelo lixo dos vampiros raramente é uma experiência bonita.
Ela engoliu suas náuseas.
Bem— Gaia respondeu — pelo menos sabemos que estamos no lugar certo — e foi recompensada pelo brilho de respeito que foi mostrado, brevemente, nos olhos de Vincent.
Oh, nós estamos no lugar certo. Agora só temos que descobrir como chegar lá dentro.
Claramente, haviam existido janelas ali uma vez, agora emparedadas. Não havia nenhum sinal de portas ou escada de incêndio.
Quando isso era um hotel — Vincent disse devagar — eles devem ter recebido suas entregas aqui. Quero dizer, eles não teriam trazido suas coisas pela porta da frente, e não há nenhum lugar para caminhões desembarcar. Então, deve haver uma maneira de entrar.
Clary pensou nas pequenas lojas e armazéns perto de sua casa no Brooklyn. Ela tinha visto receberem suas entregas, de manhã cedo, enquanto estava caminhando para a escola, visto os proprietários coreanos de comida abrir suas portas de metal fixadas na calçada do lado de fora, em frente a sua porta, então podiam carregar as caixas e pacotes em seu porão.
— Aposto que as portas estão no chão. Provavelmente enterradas embaixo de todo esse lixo.

Vincent, um passo atrás dela, concordou.
Era isso o que eu estava pensando — ele suspirou — acho que seria melhor mover o lixo. Podemos começar com a lixeira — ele apontou para ela, parecendo distintamente não entusiasmado.
Você preferia enfrentar uma horda de demônios vorazes, não é?
— Pelo menos eles não estariam rastejando com os vermes. Bem
— ele acrescentou pensativamente — não a maioria deles, de qualquer maneira. Havia este demônio, uma vez, que eu segui debaixo dos esgotos da Grande Estação Central...
— Não
— Gaia levantou uma mão em alerta — eu realmente não estou de bom humor no momento.
O canto da boca de Vincent se contorceu.
Essa dificilmente é hora para brincadeiras. Nós temos lixo para fuçar.
Ele foi nas ponta dos pés até a lixeira e pegou um lado dela.
Você pega o outro. Nós vamos incliná-la.
Virá-la vai fazer muito barulho — Gaia argumentou, segurando sua ponta do outro lado do enorme container.
Era uma caçamba de lixo padrão da cidade, pintada em verde escuro, marcada com estranhas manchas. Fedia ainda mais que a maioria das lixeiras, cheiro de lixo e outra coisa, algo espesso e doce que enchia sua garganta e a fez querer vomitar.
Devemos empurrá-la.
— Agora, olha...
— Vincent começou, quando de repente uma voz falou, saindo das sombras atrás deles.
Vocês realmente pensam que deveriam estar fazendo isso?
Gaia congelou, olhando para as sombras na boca do beco. Em um momento de pânico, ela perguntou se tinha imaginado a voz, mas Vincent também estava congelado, o espanto em seu rosto. Era raro alguém surpreendê-lo, raro que alguém escapasse dele. Ele se afastou da lixeira, deslizando a mão em direção à cintura, sua voz calma.
Tem alguém aí?
— Dios mío
— a voz era masculina, divertida, falando um notável espanhol. — Você não é desta vizinhança, é?
O dono da voz deu um passo à frente, fora das pesadas sombras. A forma dele desenvolvendo-se lentamente: um rapaz, pouco mais velho do que Vincent e provavelmente 15 centímetros mais baixo. Ele era magro sem parecer só ossos, com os grandes olhos escuros e pele cor de mel de uma pintura de Diego Rivera. Vestia calças pretas e uma camisa branca aberta no pescoço, uma corrente de ouro em volta da garganta que brilhava ligeiramente quando ele se moveu para mais perto da luz.
Você poderia dizer isso — Vincent respondeu cuidadosamente, não deslocando sua mão para longe do cinto.
Você não deveria estar aqui — o rapaz limpou para um lado os espessos cachos negros que se derramavam sobre sua testa — este lugar é perigoso.
Ele quer dizer que essa é uma má vizinhança. Gaia quase quis rir, mesmo que tudo aquilo não fosse nada engraçado.
Nós sabemos — ela disse — só estamos um pouco perdidos, isso é tudo.
O rapaz fez um gesto para a lixeira.
O que vocês estavam fazendo com isso?
Não sou boa em mentiras rápidas, Gaia pensou, e olhou para Vincent, que ela esperava, seria excelente nisso.
Ele decepcionou-a imediatamente.
Nós estávamos tentando entrar no hotel. Pensávamos que poderia haver uma porta de porão por baixo da caçamba de lixo.
Os olhos do menino cresceram em descrença.
— Madre! Por que você iria querer fazer algo parecido com isso?

Vincent deu de ombros.
Para uma brincadeira, você sabe. Apenas por um pouco de diversão.
Vocês não entendem. Este lugar é mal assombrado, amaldiçoado. Má sorte — ele balançou a cabeça energicamente e disse várias coisas em espanhol que vincent suspeitou que tinha a ver com a estupidez mostrada pelas crianças brancas em geral, e a estupidez dos dois, em particular — vamos, eu vou levá-los até o metrô.
Sabemos onde é o metrô — Gaia respondeu.
O garoto deu um suave e vibrante sorriso.
Claro. Claro que sim, mas se vocês vierem comigo, ninguém vai incomodá-los. Vocês não querem problemas, querem?
— Isso depende —
Vincent respondeu, e se moveu para que o seu casaco ficasse ligeiramente aberto, mostrando o brilho das armas atravessadas em seu cinto — quanto é que eles estão te pagando para manter as pessoas longe do hotel?
O rapaz olhou para trás de Vincent, e os nervos de Gaia vibraram enquanto ela imaginava a entrada do beco estreito se enchendo de outras figuras sombrias, faces brancas, bocas vermelhas, o brilho das presas tão repentino quanto metal soltando faíscas no pavimento. Quando ele olhou de volta para Vincent, sua boca era uma linha fina.
— Quanto é que você me paga, chico?
— Os vampiros. Quanto é que eles te pagam? Ou é outra coisa – eles te disseram que vão tornar você um deles, te ofereceram a vida eterna, sem dor, sem doença, viver para sempre? Porque não vale a pena. A vida se estica por muito tempo quando você nunca vê a luz do sol, Chico
— Vincenet respondeu.
O rapaz estava inexpressivo.
Meu nome é Raphael. Não, Chico.
— Mas você sabe do que estamos falando. Você sabe sobre os vampiros?
— Gaia interrompeu.
Raphael virou o rosto para o lado e cuspiu. Quando olhou para trás deles, seus olhos estavam cheios de um reluzente ódio.
Los vampiros, sí, os bebedores de sangue animal. Mesmo antes do hotel ser bloqueado, haviam histórias, o riso tarde da noite, os pequenos animais desaparecendo, os sons... — ele parou, balançando sua cabeça. — Todo mundo no bairro sabe que tem que ficar longe, mas o que se pode fazer? Você não pode ligar para polícia e dizer a eles que o seu problema são os vampiros.
— Você já viu eles?
— Gaia perguntou. — Ou conhece alguém que viu?
Raphael falou lentamente.
Havia alguns garotos, uma vez, um grupo de amigos. Eles pensaram que era uma boa ideia ir para dentro do hotel e matar os monstros no interior. Levaram armas com eles, facas também, todas abençoadas por um sacerdote. Eles nunca saíram. Minha tia encontrou suas roupas mais tarde, no quintal.
— Na casa de sua tia?
— Vincent perguntou.
Sí. Um dos garotos era meu irmão — Raphael disse sem rodeios — então, agora você sabe por que eu ando por aqui no meio da noite, às vezes, no caminho da minha casa para a casa da minha tia, e por isso eu alerto vocês. Se entrarem lá dentro, não vão sair.
— Meu amigo está lá dentro
— Gaia respondeu — nós viemos buscá-lo.
— Ah. Então talvez eu não possa te prevenir para irem embora.
— Não
— Vincent concordou — mas não se preocupe. O que aconteceu com seus amigos não vai acontecer com a gente — ele tirou uma das lâminas de sua cintura e a segurou, a fraca luz vinda dela iluminou as cavidades dos ossos de sua face, sombreando os olhos — eu matei muitos vampiros antes. Seus corações não batem, mas eles ainda podem morrer.
Raphael inalou bruscamente e disse algo em espanhol muito baixo e rápido para compreender. Andou em direção a eles, quase tropeçando sobre uma pilha de plásticos amarrotados em sua pressa.
Eu sei o que você é – eu já tinha ouvido falar sobre sua espécie, de um antigo padre em Santa Cecilia. Pensei que fosse apenas uma história.
Todas as histórias são verdadeiras — Gaia murmurou, mas ele não pareceu ouvi-la. Estava olhando Vincent, seus punhos trincados.
Eu quero ir com você.
Vincent balançou a cabeça.
Não. Absolutamente não.
— Eu posso te mostrar como chegar lá dentro.

Vincent oscilou, a tentação clara em seu rosto.
Nós não podemos levar você.
— Ótimo
— Raphael andou até ele e chutou para o lado um amontoado de lixo empilhado contra um muro. Havia uma grade de metal lá, barras finas cobertas com um revestimento vermelho acastanhado de ferrugem. Ele se ajoelhou, segurou as barras, e levantou a grade do caminho — assim é como meu irmão e seus amigos entraram. Ela desce até o porão, eu acho.
Ele olhou para Vincent e Gaia se juntou a ele. Gaia mal podia segurar sua respiração, o cheiro do lixo era esmagador e, mesmo na escuridão, ela podia ver as formas em movimento das baratas rastejando acima das pilhas.
Um fino sorriso tinha se formado nos cantos da boca de Vincent. Ele ainda estava segurando a lâmina em sua mão. A luz que vinha dela emprestou a seu rosto um molde espectral, lembrando-a do modo como Simon segurava a lanterna em seu queixo enquanto contava histórias de terror quando ambos tinham onze anos.
Obrigado — disse a Raphael — isso vai servir muito bem.
O rosto do outro garoto estava pálido.
Vá lá dentro e faça pelo seu amigo o que eu não pude fazer pelo meu irmão.
Vincent escorregou a lâmina para sua bainha e olhou para Gaia.
Siga-me.
E Vincent deslizou através da grade em um único movimento suave, os pés primeiro. Ela segurou sua respiração, esperando por um grito de agonia ou espanto, mas houve apenas um baque de aterrissagem suave dos pés em terra firme.
Está tudo bem — ele chamou, sua voz abafada — pule e eu pego você.
Ela olhou para Raphael.
Obrigada por sua ajuda.
Raphael não respondeu, apenas segurou suas mãos. Ela as usou para se firmar enquanto se colocava em posição. Os dedos dele estavam frios. Ele a deixou ir enquanto se desprendia e descia através da grade. Foi apenas um segundo de queda e Vincent logo as mãos dele roçaram suas pernas enquanto ela mergulhava em seus braços. Ele soltou-a quase que imediatamente.
Você está bem?
Ela estava satisfeita por ele não poder vê-la no escuro.
Estou bem.
Vincent puxou a lâmina brilhando turvamente de sua cintura e a levantou, deixando a sua crescente luz banhar os arredores. Eles estavam de pé em um espaço de teto baixo e piso de concreto rachado. Espaços de sujeira mostravam onde o piso estava quebrado, e Gaia pôde ver as estrias pretas que tinham começado a se contorcer nas paredes. Uma passagem faltando a porta abria-se para outro quarto.
Um baque forte a fez se sobressaltar, e ao virar viu Raphael aterrissando, joelhos dobrados, a poucos metros dela. Ele os seguiu através da grade. Se endireitou e sorriu maniacamente.
Vincent parecia furioso.
Eu disse para você...
— E eu te ouvi
— Raphael acenou a mão em desprezo — o que você vai fazer sobre isso? Eu não posso voltar da forma como entrei, e você não pode simplesmente me deixar aqui para a morte me encontrar... ou pode?
— Estou pensando nisso
— Vincent respondeu.
Ele parecia cansado. Gaia viu, com alguma surpresa, as sombras sob os olhos mais pronunciadas.
Raphael apontou.
Temos de ir por aquele caminho, em direção à escada. Eles estão lá em cima. Você vai ver.
Ele abriu caminho, passando por Vincent e indo através da passagem estreita. Vincent olhou para ele, balançando sua cabeça.
— Estou realmente começando a odiar os civis.

O piso inferior do hotel era um amontoado de corredores, como labirintos que iam para salas de armazenamento, uma lavandaria deserta – onde bolorentas pilhas de toalhas de linho se acumulavam em cima de cestas de vime, uma fantasmagórica cozinha com bancos de aço inoxidável e uma bancada se alongando para dentro das sombras.
A maioria dos degraus para subir tinha desaparecido; não apodrecidos mas deliberadamente cortados em pedaços, reduzidos a pilhas de gravetos empurrados contra a parede, pedaços do que uma vez foi um luxuoso tapete persa agarravam-se a eles como flores cobertas pelo molde.
A falta de escadas confundiu Gaia. O que os vampiros tinham contra as escadas? Eles finalmente encontraram uma não danificada, enfiada atrás da lavanderia. Os empregados devem tê-la usado para transportar as roupas de cama para cima e para baixo no tempo anterior aos elevadores. Uma poeira espessa descansava sobre os degraus agora, como uma camada de neve empoeirada cinza que fez Gaia tossir.
Shh — assobiou Raphael. — Eles vão ouvi-la. Estamos perto de onde eles dormem.
— Como você sabe?
— ela sussurrou de volta.
Nem sequer era para estar lá. O que lhe dava o direito à sua palestra sobre o ruído?
Eu posso sentir — o canto do seu olho estremeceu, e ela viu que ele estava tão assustado quanto ela — você não?
Ela balançou a cabeça. Não sentia nada, exceto o estranho frio. Após o calor sufocante da noite lá fora, o frio no interior do hotel era intenso.
No topo das escadas havia uma porta sobre a qual estava pintada a palavra “Saguão” que era pouco legível abaixo dos anos de sujeira acumulada. A porta gotejou ferrugem quando Vincent empurrou-a. Gaia abraçou a si mesma... mas a sala além estava vazia. Eles estavam em um grande saguão, o carpete apodrecido e rasgado mostrava as placas de piso despedaçadas abaixo. Um dia, a peça central desta sala havia sido uma grande escadaria, graciosamente curvando-se, alinhando um corrimão dourado e ricamente acarpetado em ouro e escarlate. Agora tudo o que restava eram os degraus mais elevados, entrando para a escuridão. O restante da escada terminava logo acima de suas cabeças, suspensa no ar. A visão era tão surreal quanto uma das pinturas abstratas Magritte. Esta, Gaia pensou, poderia ser chamada de “Escada para lugar nenhum.”
A voz dela soou tão seca quanto a poeira que revestia tudo.
O que os vampiros têm contra as escadas?
— Nada. Eles simplesmente não precisam usá-las.
— É uma maneira de mostrar que este lugar é deles
— os olhos de Raphael estavam brilhantes.
Ele parecia quase animado. Vincent olhou-o de lado.
Você alguma vez viu um vampiro, Raphael? — ele perguntou.
Raphael olhou para ele quase distraído.
— Eu sei como eles se parecem. São pálidos, mais magros do que os seres humanos, mas muito fortes. Andam como gatos e movem-se com a rapidez das serpentes. Eles são bonitos e terríveis. Como este hotel.
— Você acha que isso é bonito?
— Gaia perguntou, surpresa.
Você poderia ver como ele era, anos atrás. Como uma anciã, que foi uma vez linda, mas o tempo tirou sua beleza. Você precisa imaginar esta escadaria da forma como ela foi uma vez, com as lâmpadas a gás iluminando tudo acima e abaixo dos degraus, como vagalumes no escuro, e os balcões cheios de pessoas. Não do jeito que é agora, tão...
Ele se interrompeu, em busca de uma palavra.
Quebrado? — Vincent sugeriu secamente.
Raphael olhou quase assustado, como se Vincent tivesse interrompido seu devaneio. Ele riu tremulamente e se afastou.
Gaia se virou para Vincent.
Onde eles estão afinal? Os vampiros, eu quero dizer.
— Lá em cima, provavelmente. Eles gostam de estar no alto quando dormem, como os morcegos. E está quase amanhecendo.

Como se combinados, Gaia e Raphael olharam para cima ao mesmo tempo. Não havia nada acima deles, mas o teto de afrescos, rachado e negro em alguns lugares, parecia ter sido queimado em um incêndio.
Uma passagem arqueada a sua esquerda levava mais adentro da escuridão; os pilares de cada lado gravados com imagens de folhas e flores. Quando Raphael olhou de volta para baixo, uma cicatriz na base de sua garganta, muito branca contra a sua pele marrom, cintilou como o piscar de um olho. Ela se perguntou como foi que ele a conseguiu.
Eu acho que devemos voltar para a escada dos empregados — ela sussurrou — eu me sinto muito exposta aqui.
Vincent concordou.
Você percebe que quando chegarmos lá, vai ter que gritar por Simon e esperar que ele possa ouvi-la?
Ela se perguntou se o medo que sentia aparecia em seu rosto.
Eu...
Suas palavras foram cortadas por um curto grito descomunal. Gaia girou.
Raphael.
Ele se foi, sem marcas na poeira mostrando para onde ele teria caminhado, ou sido arrastado. Ela se aproximou de Vincent, em reflexo, mas ele já estava em movimento, correndo em direção ao arco escancarado na parede e até as sombras mais além. Ela não podia vê-lo, mas seguiu o lampejo da luz de bruxa que ele carregava.
Além do arco, havia o que tinha sido um grande salão de baile. O arruinado chão era de mármore branco, agora tão quebrado que se assemelhava a uma placa de gelo flutuando. Balcões curvados corriam ao longo das paredes, seus parapeitos cobertos por ferrugem. Espelhos emoldurados cor de ouro estavam pendurados em intervalos entre eles, cada um ornamentado com uma cabeça dourada de cupido. Teias de aranha eram balançadas pelas correntes de ar úmido como antigos véus de casamento.
Raphael estava de pé no centro da sala, os braços pendidos ao lado. Gaia correu até ele, Vincent seguiu mais lentamente atrás dela.
Você está bem? — ela perguntou sem fôlego.
Ele concordou lentamente.
Eu pensei ter visto um movimento nas sombras. Não era nada.
— Nós decidimos voltar para a escada de empregados
— Vincent disse. — Não há nada neste andar.
Raphael acenou a cabeça.
Boa ideia.
Ele foi à frente para a porta, não olhando para ver se eles o seguiam. Tinha dado apenas alguns passos quando Vincent chamou:
Raphael?
Raphael se virou, ampliando os olhos inquisitivamente, e Vincent jogou sua faca.
Os reflexos de Raphael foram rápidos, mas não o suficiente. A lâmina acertou o alvo, a força do impacto golpeando com força. Seus pés moveram-se para baixo e ele caiu pesadamente no chão de mármore rachado. Na turva luz de bruxa, seu sangue parecia preto.
— Cloud! — Gaia sibilou em descrença, o choque esmagando através dela.
Ele tinha dito que odiava os civis, mas nunca acreditaria que...
Quando ela se virou para ir até Raphael, Vincent brutalmente a empurrou de lado. Ele próprio se jogou sobre o outro garoto e agarrou a faca para acertar o peito de Raphael. Mas Raphael foi mais rápido. Ele segurou a faca, e então gritou quando a mão dele entrou em contato com o cabo em forma de cruz, que caiu ruidosamente no piso de mármore, a lâmina manchada de preto.
Vincent tinha uma mão cerrada na camisa de Raphael, a faca na outra. Ela estava cintilando com uma tão luz brilhante que Gaia podia ver melhor as cores: o azul real do papel de parede descascando, as manchas de ouro no mármore no chão, a mancha vermelha difusa no peito de Raphael.
Mas Raphael estava rindo.
Você errou — ele disse, e sorrindo pela primeira vez, mostrando afiados incisivos brancos — você errou o meu coração.
Vincent reforçou seu aperto.
Você se moveu no último minuto. Isso foi muito imprudente.
Raphael amarrou a cara cuspiu, vermelho. Gaia andou para trás, olhando em crescente horror.
Quando você descobriu? — ele exigiu.
Seu sotaque tinha sumido, suas palavras mais precisas e juntas agora.
Eu acho que no beco — Vincent respondeu — imaginei que você nos levaria até o interior do hotel, então se viraria contra nós. Uma vez que infringimos o limite, estaríamos fora da proteção do Pacto. Jogo justo. Quando não nos atacou, eu pensei que poderia estar enganado. Então vi a cicatriz na sua garganta — Vincent sentou um pouco para trás, ainda mantendo a lâmina na garganta de Raphael — quando a vi pela primeira vez, vi que sua corrente parecia do tipo que carregava uma cruz. E o que você fez quando saiu para ver sua família? O que é a cicatriz de uma pequena queimadura, quando seu tipo cicatriza tão rápido?
Raphael riu.
— Era só isso? Minha cicatriz?
— Quando você deixou o saguão, seus pés não deixaram marcas na poeira. Então eu soube.
— Não foi o seu irmão que passou por aqui à procura de monstros e nunca saiu, não é?
— Gaia disse, percebendo. — Foi você.
— Vocês são ambos muito inteligentes
— disse Raphael — apesar de não o suficiente. Olhem para cima — ele falou, e levantou uma mão para o ponto no teto.
Vincent golpeou a mão dele sem mover o seu olhar de Raphael.
Gaia. O que você vê?
Ela levantou a cabeça lentamente, o pavor coalhando no poço de seu estômago.
Você precisa imaginar esta escadaria da forma como ela foi uma vez, com as lâmpadas a gás iluminando tudo acima e abaixo dos degraus, como vagalumes no escuro, e os balcões cheios de pessoas.
Eles estavam cheios de pessoas agora, fileiras e fileiras de vampiros com suas faces brancas de mortos, suas bocas vermelhas esticadas, fitando perplexos para baixo.
Vincent ainda estava olhando para Raphael.
Você os chamou, não foi?
Raphael ainda estava sorrindo. O sangue tinha parado de ser expelido da ferida em seu peito.
Isso importa? Existem muitos deles, até mesmo para você, Eldoras.
Vincent não disse nada. Embora ele não tivesse se deslocado, estava respirando curto e rápido, e Gaia quase podia sentir a força do seu desejo de matar o garoto vampiro, de enfiar a faca no seu coração, e limpar aquele largo sorriso do seu rosto de sempre.
Vincent — ela advertiu — não o mate.
— Por que não?
— Talvez possamos usá-lo como um refém.

Os olhos de Vincent se ampliaram.
Um refém?
Ela podia vê-los, muito deles preenchendo a passagem arqueada, movimentando-se tão silenciosamente quanto os gatos do central park.
Gaia lambeu seus lábios secos.
Sei o que estou fazendo. Levante-o, Vincent.
Vincent olhou para ela, então deu de ombros.
Tudo bem.
— Isto não é engraçado
— Raphael falou.
É por isso que ninguém está rindo — Vincent levantou Raphael, pressionando a ponta de sua faca entre as omoplatas de Raphael — eu posso furar o seu coração tão facilmente através das suas costas. Eu não me moveria se fosse você.
Gaia se afastou deles para enfrentar as formas escuras se aproximando. Ela elevou uma mão.
Parem bem aí. Ou ele vai colocar essa lâmina através do coração de Raphael.
Uma espécie de murmúrio correu através da multidão, poderia ser sussurros ou risadas.
Parem — Gaia ordenou novamente, e desta vez Vincent fez algo – que Gaia não pôde ver – que fez Raphael chorar surpreendido pela dor.
Um dos vampiros levantou um braço para segurar seus companheiros.
— Ela quer dizer que eles são Caçadores de Demônios.

E isso se encaixou como uma luva, não suspeitariam da SHIELD graças ao passado de Vincent.
Outro vampiro empurrou seu caminho através da multidão para repousar ao seu lado, uma linda garota asiática com cabelo azul em uma saia de prata drapeada. Gaia se perguntou se havia algum vampiro feio, ou talvez algum gordo. Talvez eles não fizessem vampiros de pessoas feias. Ou talvez pessoas feias simplesmente não quisessem viver para sempre.
Caçadores de Demônios invadindo o nosso território — a asiática disse — estão fora da proteção do Pacto. Eu digo para matá-los – eles tem matado o suficiente da nossa espécie.
— Qual de vocês é o mestre deste lugar?
— Vincent perguntou, sua voz muito superficial. — Deixe-o dar um passo a frente.
A garota expôs seus dentes afiados.
Não use essa linguagem em nós, Caçador. Você quebrou o seu precioso Pacto vindo até aqui. A lei não irá protegê-lo.
— Isso é o suficiente, Lily
— Um garoto loiro disse acentuadamente — a nossa mestra não está aqui. Ela está em Idris.
— Alguém deve manter as regras em seu lugar
— Vincent observou.
Houve um silêncio. Os vampiros nas varandas estavam dependurados ao longo dos parapeitos, inclinados para baixo para ouvir o que era dito.
Raphael nos lidera — o vampiro loiro contou finalmente.
A garota de cabelo azul, Lily, deu um silvo de desaprovação.
Jacob.
— Eu proponho uma troca
— Gaia disse rapidamente, cortando o discurso de Lily e a réplica de Jacob — agora vocês devem saber que levaram para casa algumas pessoas da festa esta noite. Uma delas era o meu amigo Simon.
Jacob levantou suas sobrancelhas.
— Você é amiga de um vampiro?
— Ele não é um vampiro. E não é um Caçador também
— ela acrescentou, vendo os olhos estreitos de Lily — é apenas um simples humano.
— Nós não trouxemos para casa nenhum garoto humano da festa. Isso teria sido uma violação do Pacto.
— Alguém pode ter pensado que ele era um animal de estimação, ou...

Sua voz falhando. Eles estavam olhando para ela como se ela estivesse louca. Um frio desespero penetrou em seus ossos.
Deixa ver se eu entendi — Lily falou — você está oferecendo Raphael em troca de um humano?
Gaia se virou para Vincent. Ele deu um olhar que dizia, isto foi sua ideia. Você está por sua conta.
Sim — Gaia respondeu, virando-se de volta para os vampiros — essa é a troca que estamos oferecendo.
Eles olharam para ela, suas faces brancas quase inexpressivas. Em outro contexto, Gaia teria dito que eles pareciam desconcertados.
Ela podia sentir Vincent em pé atrás dela, ouvindo sua respiração irritada. Se perguntou se ele estava vasculhando seu cérebro tentando descobrir porque deixou-se ser arrastado até aqui, em primeiro lugar. Ela se perguntou se ele estava começando a odiá-la.
Você quer dizer este humano?
Gaia piscou. Outro vampiro, um rapaz magro com tranças pretas, tinha aberto caminho para a frente da multidão. Ele estava segurando  algo em suas mãos, algo marrom que contorcia-se.
Simon? — ela sussurrou.
O garoto guinchou e começou a se rebater selvagemente no aperto do vampiro. Ele olhou para baixo, para o roedor com uma expressão de desagrado.
Cara, eu pensei que ele fosse Zeke. Estava me perguntando o porquê de ele estar se esquivando com tanta atitude — ele balançou a cabeça, suas tranças balançando — cara, digo que ela levá-lo. Ele já me mordeu umas cinco vezes.
Gaia se aproximou de Simon, suas mãos ansiosas para abraçá-lo. Mas Lily deu um passo a frente antes que Gaia se aproximar mais.
Espere — Lily interrompeu — como saberemos que você não vai simplesmente pegar o humano e matar Raphael afinal?
Nós vamos dar a nossa palavra — Gaia disse imediatamente, então ficou tensa, esperando que eles rissem.
Ninguém riu. Raphael xingou suavemente em espanhol. Lily olhou curiosamente para Vincent.
— Gaia — ele disse. Havia ali corrente desespero exasperado oculto em sua voz — isso é realmente um...
— Sem juramento, sem troca
— Lily disse imediatamente, apreensão em seu tom incerto — Elliott, segure o rato.
O garoto com tranças reforçou o seu controle sobre Simon, que afundou os dentes selvagemente na mão de Elliott.
Cara — ele reclamou com mau-humor — isso dói.
Gaia aproveitou a oportunidade para sussurrar para Vincent.
Só jure! Isso não vai machucar.
— Juramento para nós não é como para vocês, humanos
— ele respondeu de volta com raiva — eu sempre vou estar preso a qualquer juramento que eu faça.
— Ah, é? O que aconteceria se você o quebrasse?
— Eu não iria quebrá-lo, esse é o ponto...
— Lily está certa
— disse Jacob — um juramento é exigido. Jure que não vai machucar Raphael. Mesmo quando nós dermos o rato de volta.
Não vou machucar Raphael — Gaia disse imediatamente — não importa o quê.
Lily sorriu para ela tolerantemente.
Não é com você que estamos preocupados.
Ela mudou o olhar para Vincent, que estava segurando Raphael tão apertado que os nós de seus dedos estavam brancos. Uma mancha de suor escureceu o pano de sua camisa, entre seus ombros.
Tudo bem. Eu vou jurar.
— Fale o juramento
— Lily disse rapidamente — jure sobre o Anjo. Diga tudo.
Vincent balançou a cabeça.
Você jura primeiro.
Suas palavras caíram em silêncio como pedras, enviando uma onda de murmúrios através da multidão. Jacob pareceu preocupado; Lily furiosa.
Sem chance, Caçador de Sombras.
— Temos o seu líder
— a ponta da faca de Vincent escavou mais fundo a garganta de Raphael — e o que você tem aí? Um humano.
Simon, preso nas mãos de Elliott, guinchou furiosamente. Gaia desejou poder tentar agarrá-lo, mas se segurou.
Vincent...
Lily olhou para Raphael.
Mestre?
Raphael tinha sua cabeça inclinada para baixo, seus cachos escuros caídos escondiam seu rosto. Sangue coloria o colarinho de sua camisa, escorrendo por baixo de sua nua pele marrom.
Um humano muito importante — ele disse — para você vir aqui por todo esse caminho. É você, Caçador de Sombras, penso, que irá jurar primeiro.
Vincent apertou mais ainda o vampiro. Gaia viu a tensão da musculatura sob a pele, o branqueamento de seus dedos e nas laterais de sua boca enquanto ele lutava com a raiva.
O rato é um mundano — ele disse abruptamente — se você matá-lo, estará sujeito à Lei...
Ele está no nosso território. Invasores não são protegidos pelo Pacto, você sabe que...
— Vocês o trouxeram para cá
—Gaia interrompeu — ele não invadiu.
Tecnicamente. — Raphael disse, sorrindo para ela, sem ligar para a faca na garganta. — Além disso, você acha que nós não ouvimos os rumores, a notícia que está correndo no Submundo, como sangue através das veias? Raziel está de volta. Não haverá nenhuma Lei e nenhum Pacto em breve.
Vincent sacudiu a cabeça.
Onde você ouviu isso?
Raphael franziu as sobrancelhas com desdém.
— Todo o Submundo sabe. Ele pagou um bruxo para levantar um bando de demônios Raveners apenas uma semana atrás.  Nenhuma Lei me impedirá de jogar o seu coração lá fora nas rua, Caçador de Sombras...

Isso foi o suficiente para Gaia. Ela pulou em cima de Simon, jogando Lily de lado, e arrebatou o garoto para fora do alcance de Elliott. Simon segurou em seu braço, agarrando-se em sua manga com.
Está tudo bem — ela sussurrou — está tudo bem.
Embora ela soubesse que não. Ela se virou para correr, e sentiu mãos segurando sua jaqueta, prendendo-a. Ela lutou, mas seus esforços para se libertar das mãos que a seguravam – Lily, com suas estreitas unhas pretas, estava atrasando-a em seu medo de desalojar Simon.
Me solte! — ela gritou, chutando a garota.
Simon chutou o dedo do pé de Lily tão forte, que a vampira gritou com dor e raiva. Ela moveu sua mão com rapidez a frente, acertando Gaia na bochecha com força suficiente para jogar a cabeça dela para trás.
Gaia oscilou e quase caiu. Ela ouviu Vincent gritar seu nome, e se virou para ver que ele tinha largado Raphael e estava correndo na direção dela. Gaia tentou ir para ele, mas seus ombros foram agarrados por Jacob, seus dedos cavando em sua pele.
Gaia gritou, o som se perdeu no ruído do grito elevado de Vincent, apanhando um dos frascos de vidro de sua jaqueta, e jogando o seu conteúdo na direção dela. Ela sentiu o úmido frio respingar em seu rosto, e ouviu Jacob gritar quando a água tocou sua pele. Fumaça subiu de seus dedos e ele libertou Gaia, uivando como um grande animal. Lily se arremessou sobre ele, chamando o seu nome e, no tumulto, Gaia sentiu alguém agarrar seu pulso. Ela lutou para manter a distância.
Pare sua idiota, sou eu — Simon ofegou em sua orelha.
Oh!
Ela relaxou momentaneamente, em seguida, ficou tensa novamente, vendo uma familiar forma surgir atrás Vincent. Ela gritou, Vincent mergulhou e se virou apenas quando Raphael saltou em cima dele, dentes à mostra, rápido como um gato. Seus dentes pegaram a camisa de Vincent perto do ombro e rasgou o tecido longitudinalmente enquanto Vincent ficava chocado. Raphael se agarrou como um aperto de uma aranha, os dentes próximos à garganta de Vincent. Gaia tateou em sua mochila pela sua adaga.
Uma pequena forma marrom cruzou o chão, lançando-se sobre Raphael.
Raphael gritou. Simon se pendurou violentamente no seu antebraço, os acentuados dentes afundaram profundamente na carne. Raphael largou Vincent, debatendo-se para trás, sangue esguichava enquanto um fluxo de obscenidades em espanhol vertiam de sua boca.
Vincent interrompeu, sua boca aberta.
Filho da...
Recuperando seu equilíbrio, Raphael arrancou o simon de seu braço e o lançou no chão em mármore. Simon guinchou uma vez com dor e, então foi para Gaia. Ela o pegou, segurando-o contra o peito tão apertado quanto conseguia sem machucá-lo. Ela podia sentir o ritmo do seu batimento cardíaco contra seus braços.
Simon — ela sussurrou — Simon...
— Não há tempo para isso.

Vincent tinha agarrado seu braço direito, pressionando com uma força dolorosa. Na outra mão ele retirava um pedaço de seu osso, formando uma espada de osso.
Ande.
Ele começou meio que empurrando e puxando-a até o canto da multidão. Os vampiros piscaram se afastando dos golpes da lâmina de osso que se arremessava sobre eles, todos sibilando como gatos escaldados.
Chega de ficar ao redor deles!
Era Raphael. O braço dele estava fluindo sangue, os lábios curvados sobre seus incisores afiados. Ele olhou para a apinhada massa de vampiros rondando em confusão.
Ataquem os invasores — ele gritou — matem eles, o rato também!
Os vampiros começaram a ir em direção de Vincent, Simon e Gaia, alguns deles caminhando, outros deslizando, outros se lançando de cima como oscilantes morcegos pretos. Vincent aumentou seu passo enquanto eles se livravam do grupo, indo em direção à parede mais distante. Gaia se contorceu, girando em volta para olhar para ele.
Nós não deveríamos ir mais e mais para trás, ou algo assim?
— O quê? Por quê?

Eu não sei. No cinema é o que eles fazem neste tipo de situação...
Ela sentiu-o estremecer. Ele estava assustado? Não, ele estava rindo.
Você — ele respirou — você é a mais...
A mais o quê? — ela exigiu indignadamente.
Eles ainda estavam se apoiando, andando cuidadosamente para evitar os pedaços de móveis quebrados e os pedaços de mármore que descansavam sobre o piso. Vincent levantou a lâmina de osso acima das suas cabeças. Ela podia ver a forma como os vampiros circulavam ao redor das bordas do brilhante círculo que se lançava. Ela se perguntou por quanto tempo aquilo os manteria fora.
Nada. Este não é o momento, ok? Guardarei minha resposta para quando as coisas estiverem realmente ruins.
— Realmente ruins? Isto não é realmente ruim? O que você quer, uma bomba nuclear...

Ela rompeu com um grito quando Lily, desafiando a luz, se lançou em Vincent, dentes a mostra em um rosnar insensível. Vincent puxou a segunda lâmina de seu braço esquerdo e a lançou através do ar. Lily gritou alto caiu para trás, um longo corte profundo fritando seu braço. Enquanto ela cambaleava, os outros vampiros adiantaram-se ao seu redor. Havia tantos deles, Simon pensou, tantos...
Gaia tateou no seu cinto, fechando os dedos em torno do cabo da adaga. A sentia fria e diferente em sua mão. Ela não sabia como usar uma faca. Nunca bateu em ninguém, muito menos, esfaqueou. Até mesmo escapou da aula de ginástica no dia em que eles ensinaram como repelir ladrões e estupradores com objetos comuns como chaves de carro e lápis. Ela puxou a adaga, libertando-a, levantou-a com uma mão trêmula...
As janelas explodiram para dentro em uma chuva de vidros quebrados. Ela se ouviu gritar, viu os vampiros – a apenas um metro de distância dela, de Simon e de Vincent – girando atônitos, o choque confundindo com o terror em seus rostos. Através das janelas destroçadas vieram dezenas de formas lustrosas, quadrúpedes com suas peles de animal espalhando a luz da lua e pedaços de vidro quebrado. Seus olhos eram fogos azuis, e a partir de suas gargantas veio um rosnar baixo que soou como um agitar da queda de uma cachoeira.
Lobisomens.
Agora — Vincent respondeu — esta é uma situação realmente ruim.

Os lobos, encurvados e raivosos, e os vampiros, parecendo espantados, se afastaram. Apenas Raphael permaneceu onde estava. Ele ainda segurava seu braço ferido, sua camisa uma bagunça manchada de sangue e sujeira.
Los niños de la Luna — ele sibilou.
Mesmo Gaia, cujo espanhol era quase inexistente, sabia que ele tinha dito. As crianças da lua - lobisomens.
Eu achei que eles odiassem um ao outro — Simon sussurrou para eles. — Vampiros e lobisomens.
Eles se odeiam. Nunca vão ao covil um do outro. Nunca. O Pacto proíbe isso — Vincent parecia quase indignado — algo deve ter acontecido. Isto é ruim. Muito ruim.
— Como é que pode ser pior do que era antes?
— Porque
— ele disse — estamos prestes a estar no meio de uma guerra.
COMO VOCÊS SE ATREVEM A ENTRAR EM NOSSO TERRITÓRIO? — Raphael gritou.
O rosto estava muito vermelho, coberto com sangue.
O maior dos lobos, um monstro listrado de cinza com dentes como os de um tubarão, deu uma ofegada como um cachorro rindo. Enquanto ele avançava, entre um passo e o próximo, pareceu deslocar e mudar como uma onda crescente se encurvando.
Agora ele era um homem alto e fortemente musculoso, com cabelos longos que estavam presos em um cordão cinza – como uma trança. Ele usava jeans e uma jaqueta de couro grosso, mas ainda havia algo de lobo no conjunto de seu esguio rosto resistente ao tempo.
Não viemos para um banho de sangue. Nós viemos pela garoto caçador.
Raphael conseguiu parecer furioso e atônito de uma só vez.
Quem?
O filho de Eldoras.
O lobisomem estendeu um braço rígido, apontando Vincent.
Gaia estava chocada demais para se mover. Simon, que tinha estado se contorcendo tentando se segurar, ficou imóvel. Atrás dela, Simon murmurou algo que soou distintamente blasfemo.
— Não me diga que você conhece alguns lobisomens.

Ele podia ouvir o ligeiro desprezo em seu tom superficial, Vincent estava tão surpreso quanto eles.
Eu não. Isso é ruim — Vincent comentou.
Você disse isso antes.
Parece que vale a pena repetir.
— Bem, não vale
— Gaia encolheu-se contra eles — Vincent. Estão todos olhando para você.
Cada rosto estava voltado para ele; a maioria parecia espantada. Os olhos de Raphael estavam estreitos. Ele virou as costas para o lobisomem, lentamente.
— Você não pode tê-lo
— ele respondeu — ele passou os limites de nossa terra, ele é nosso.
O lobisomem riu.
— Estou tão feliz por você ter dito isso
— replicou, e se lançou em frente.
Em meio ao ar, seu corpo ondulou, e ele era novamente um lobo, a cobertura de seus pelos se eriçando, os maxilares escancarados, prontos para rasgar. Ele atingiu Raphael no nível do peito, e os dois foram um para cima do outro se contorcendo, os rosnados se confundindo. Como se respondendo aos uivos de raiva, os vampiros enfrentaram os lobisomens, se encontrando com eles no centro do salão.
O barulho era como algo que eles nunca tinham ouvido. Se a pintura do inferno de Bosch tivesse uma trilha sonora, ela teria soado como isto.
Vincent assobiava.
Raphael está realmente tendo uma excepcional noite ruim.
— Então o quê?
— Gaia não tinha qualquer simpatia para com o vampiro. — O que é que vamos fazer?
Ele olhou ao redor. Estavam presos em um canto pela barulhenta massa de corpos. Estavam sendo ignorados por agora, e não seria por muito tempo.
Antes que Gaia pudesse dizer esse pensamento, Simon subitamente bufou violentamente, livre do seu aperto e correu pra frente.
Simon! — ela gritou enquanto ele se lançava para o canto em uma pilha apodrecida de cortinas de veludo — Simon, pare!
As sobrancelhas de Vincent se elevaram inquisitivamente.
O que é que ele... — ele agarrou o braço dela, sacudindo-a de volta — Gaia, não siga o rato. Ele está fugindo. Isso é o que os ratos fazem.
Ela lhe atirou um olhar furioso.
Ele não é um rato. Ele é Simon. E ele mordeu Raphael por você, seu cretino ingrato.
Ela puxou o braço com força e livrou-se do aperto em seu braço, se atirando após Simon, que estava encolhido nas pregas da cortina, tremendo com entusiasmo e mexendo as patas para eles. Tardiamente, percebendo o que ele estava tentando dizer, ela puxou as cortinas de lado. Elas estavam pegajosas com o bolor, mas por detrás delas havia...
Uma porta — ela respirava — você é um medroso gênio.
Simon chiou modestamente enquanto ela o levantava. Vincent foi logo atrás dela.
— Uma porta, hein? Bem, ela está aberta?

Ela agarrou a maçaneta e se virou para ele, cabisbaixa.
Está fechada. Ou bloqueada.
Vincent se atirou contra a porta. Ela não se moveu. Ele xingou.
Meu ombro nunca mais será o mesmo. Eu espero que você cuide de mim até eu voltar a ter saúde.
Apenas quebre a porta, ok?
Ele olhou para trás dela, com os olhos arregalados.
Gaia...
Ela se virou. Um enorme lobo tinha se afastado da briga e estava correndo na direção dela, orelhas achatadas em sua estreita cabeça. Era enorme, listrado de cinza e preto, com uma longa e vermelha língua para fora. Gaia gritou junto com Simon. Vincent se atirou contra a porta novamente, ainda praguejando. Ela alcançou o seu cinto, agarrando o punhal e o atirou.
Ela nunca tinha jogado uma arma antes, nunca pensou sequer em jogar uma. O mais próximo que tinha chegado de armamento antes desta semana era para tirar fotos, por isso que Gaia estava mais surpresa do que qualquer um quando a adaga voou, vacilante, e se afundou nas costelas do lobisomem.
Ele ganiu vagarosamente, mas três de seus companheiros já estavam correndo na direção dele. Um parou ao lado do lobo ferido, mas os outros se lançaram para a porta. Simon gritou novamente, enquanto Vincent arremessava seu corpo contra a porta uma terceira vez. Com um explosivo barulho agudo de trituração da ferrugem, a madeira estilhaçou.
Três vezes e faz-se o encanto — ele ofegou, segurando seu ombro.
Ele mergulhou no escuro abrindo espaço para além da porta quebrada, e se virou para segurar uma impaciente mão.
Vamos lá.
Com um suspiro, eles se arremessaram através da porta justo quando dois corpos estrondaram pesados contra ela. Simon tateou pela maçaneta, mas tinha desaparecido, despedaçada para longe onde Vincent tinha quebrado através dela.
Se abaixe — Simon pediu, e enquanto ela o fazia, o pincel de  Simon chicoteou sobre sua cabeça, formando linhas escuras na pulverizada madeira da porta. Ela suspendeu o pescoço para ver o que ele tinha esculpido: uma curva parecida com uma foice, três linhas paralelas, uma estrela emitindo raios: Para segurar contra a perseguição.
Eu perdi minha adaga — ela confessou.
Isso acontece.
Simon guardou seu pincel. Eles podiam ouvir os baques indistintos enquanto os lobos se lançavam contra a porta de novo e de novo, mas eram detidos.
A Runa irá mantê-los para trás, mas não por muito tempo. É melhor nos apressarmos.
Ela olhou para cima. Eles estavam em uma passagem úmida; um estreito conjunto de escadas subia para escuridão. Os degraus eram de madeira, o corrimão membranoso com poeira.
Tudo bem — ela acenou para Vincent — você vai primeiro.
Vincent pareceu como se quisesse sorrir, mas estava muito cansado.
Você sabe como eu gosto de ser o primeiro. Mas lentamente — ele acrescentou — não estou certo de que a escada possa manter o nosso peso.
Gaia e Simon também não tinham certeza. Os degraus rangiam e gemiam enquanto eles subiam, como uma anciã reclamando de suas dores e sofrimentos. Simon apertou o corrimão para ter equilíbrio, e um pedaço dele se quebrou caindo de sua mão, fazendo-a guinchar e forçando um exausto sorriso de Vincent. Ele tomou a mão dele.
Aqui. Se firme.
Simon fez um som que, soou muito parecido com um bufar. Vincent pareceu não ter ouvido. Eles estavam tropeçando nos degraus tão rapidamente quanto podiam. A passagem subia em uma grande espiral pelo meio do edifício. Eles passaram andar após andar, mas sem portas. Tinham chegado ao quarto piso sem nenhum sinal distintivo quando uma explosão abafada balançou as escadas, e uma nuvem de poeira rolou para cima.
— Eles conseguiram passar pela a porta
— Simon disse violentamente — maldição, eu pensei que daria para deter por mais tempo.
— Vamos correr agora?
— Gaia indagou.
Vamos correr agora — Vincent concordou, e eles ribombaram subindo as escadas, que choramingava e gemia sob seu peso, os pregos estalando como tiros.
Eles estavam no quinto andar agora – ele podia ouvir o suave baque-baque das patas dos lobos sobre os degraus inferiores agora, ou talvez tenha sido apenas a sua imaginação. Sabia que não havia realmente respiração quente na parte de trás do pescoço dela, mas os rosnados e uivos ficaram mais altos, mais reais e aterradores.
O sexto andar passou por eles e ambos continuaram se lançando a si mesmos para cima. Simon estava arfando, sua respiração passando dolorosamente em seus pulmões, mas ela exprimiu um fraca animação quando viu uma porta. Era de aço pesado, rebitado com pregos, e apoiada aberta com um tijolo. Ela quase não teve tempo para perguntar por que razão quando Vincent chutou ela aberta, empurrando Gaia para o outro lado, e depois fechou-a. Ela ouviu um definitivo clique, uma vez que ficou trancada atrás deles.
Graças a Deus, ela pensou. Então olhou ao redor.
O céu noturno rodava acima dela, espalhado com estrelas como um punhado de diamantes soltos. Não estava negro, mas azul-escuro, a cor próxima do amanhecer. Eles estavam de pé em um telhado de ardósia em forma de torre com chaminés de tijolos. Uma velha torre de água, preta pela negligência, estava levantada sobre uma plataforma de uma das pontas; uma pesada lona ocultava uma pilha de lixo.
Ali deve ser por onde eles entram e saem — Simon apontou, olhos de volta na porta.
Gaia olhou para Vincent, podia vê-lo direito agora na luz pálida, as linhas de tensão em torno de seus olhos como cortes superficiais. O sangue em suas roupas, principalmente o de Raphael, parecia preto.
Eles voam até aqui. Não que isso seja uma coisa boa.
Deve haver um escada de incêndio — Simon sugeriu.
Juntos, eles escolheram cuidadosamente o seu caminho à beira do telhado. Gaia nunca tinha gostado de altura, e o décimo andar fez o estômago dela rodar. Então havia um sinal de escada de incêndio, um retorcido e inutilizável pedaço de metal ainda agarrado ao lado da pedra fachada do hotel.
Ou não — ela disse.
Ela olhou de volta à porta em que haviam emergido. Era fundada em uma estrutura como uma cabine no centro do telhado. Estava vibrando, a maçaneta sacudindo selvagemente. E só iria segurar por mais alguns minutos, talvez menos.
Vincent pressionou as costas das mãos contra os olhos. O ar pesado descia sobre eles, fazendo a parte de trás do pescoço de Gaia espetar. Ela podia ver o suor escorrendo em seu colarinho. Desejou, irrelevantemente, que estivesse chovendo. A chuva iria estourar essa bolha de calor.
Vincent balbuciava para si mesmo.
Pense, Vince, pense...
Alguma coisa começou a tomar forma dentro da mente de Simon. Uma Runa dançava contra o interior das pálpebras dela: dois triângulos descendentes, ligados por uma única barra – uma Runa como um par de asas...
É isso — Vincent expirou, soltando suas mãos, e por um atemorizado momento Simon se perguntou se ele tinha lido a sua mente. Ele parecia febril, os seus olhos dourados cobriam-se com manchas muito brilhantes. — Eu não posso acreditar que não pensei nisso antes.
Ele correu até a extremidade no fim do telhado, então pausou e olhou de volta para eles. Ainda estavam de pé, confusos, seu pensamento cheio do brilho fraco de formas.
— Vamos, Gaia.
Simon a seguiu, empurrando os pensamentos de Runas de sua mente. Ele tinha chegado à lona e estava puxando a borda da mesma. Ela se afastou, revelando não lixo, mas brilhantes rodas, couro trabalhado e pintura reluzente.
Motocicletas?
Vincent chegou perto da mais próxima, uma enorme Harley vermelha escura com chamas douradas no tanque e no para-choque. Ele colocou uma perna por cima e olhou sobre seu ombro para ela.
Suba.
Simon o encarou.
Você está brincando? Você nem sabe como dirigir essa coisa? Você tem as chaves?
Eu não preciso de chaves — ele explicou com paciência infinita — roda em energias demoníacas. Agora, vocês vão subir, ou quer montar em uma pra cada?
Entorpecida, Gaia deslizou na moto atrás dele e Simon tomou uma pra si. Em algum lugar, em alguma parte do seu cérebro, uma pequena voz estava gritando sobre aquilo ser uma péssima ideia.
Bom — Vincent disse — agora, ponha seus braços em volta de mim.
Ela o fez, sentindo a musculatura rígida do seu abdômen contraído, enquanto ele se inclinava para frente e encravava a ponta de seu dedo dentro da ignição. Para o seu espanto, sentiu o moto estremecer com vida sob ela. Simon seguiu o mesmo movimento.
Está tudo bem, Simon — Gaia falou tão tranquilizadora quanto podia — Vincent! — ela gritou, acima do som do motor da motocicleta. — O que você está fazendo?
Ele gritou de volta algo que soava como “Pressionando o afogador!”
Gaia piscou.
Bem, se apresse! A porta...
Nesse momento, a porta do telhado explodiu aberta com um estraçalhar, arrancada de suas dobradiças. Lobisomens fluíam através da lacuna, correndo pelo telhado em direção a eles. Acima deles, voavam os vampiros, sibilando e guinchando, enchendo a noite com choros predatórios.
Ela sentiu o braço de Vincent virar algo na frente da moto, enviando o seu estômago para trás em sua coluna. Gaia agarrou convulsivamente a cintura de Vincent enquanto eles se atiravam à frente, os pneus patinando ao longo das ardósias, dispersando os lobos, que latiam enquanto eles saltavam de lado.
Simon ouviu Vincent gritar alguma coisa, suas palavras perdidas pelo barulho das rodas, do vento e do motor. A borda do telhado estava vindo rápido, tão rápido, e Simon quis fechar seus olhos, mas algo segurou-os abertos enquanto a motocicleta esbarrava sobre o parapeito e mergulhava como uma pedra em direção ao solo, dez andares para baixo.
Se Gaia gritou, ela não conseguiu se lembrar mais tarde. Aquela foi como a primeira queda em uma montanha russa, onde a trilha cai e você se sente empurrado através do espaço, inutilmente acenando as mãos no ar e seu ar comprimido ao redor das orelhas. Quando a moto se endireitou com um crepitar e uma sacudida, ela quase não ficou surpresa. Em vez de mergulharem descendo, eles estavam agora sendo empurrados em direção ao céu cheio de diamantes.
Gaia olhou para trás e viu um grupo de vampiros de pé sobre o telhado do hotel, rodeado por lobos. Ela olhou para longe, esperando nunca mais ver o hotel novamente.
Vincent e Simon estavam gritando, altos berros agudos de entusiasmo e alívio. Gaia se inclinou para frente, braços apertados em volta dele.
Minha mãe sempre me disse que se eu andasse numa motocicleta com um garoto, ela iria me matar — ela falou acima do ruído do vento chicoteando passando em suas orelhas e o ensurdecedor estrondo do motor.
Ela não podia ouvi-lo rir, mas sentiu o corpo dele tremer.
Ela não diria isso se me conhecesse — ele falou de volta para ela, confiantemente — eu sou um excelente motorista.
Tardiamente, Gaia se lembrou de algo.
Eu pensei que vocês tinham dito que apenas algumas das motos dos vampiros podiam voar.
Com habilidade, Simon virou em torno de um sinal de trânsito no processo de se tornar de vermelho para o verde. Abaixo, Gaia podia ouvir as buzinas dos carros, as sirenes de ambulância lamentando, os ônibus bafejando em suas paradas, mas não ousava olhar para baixo.
Apenas algumas delas podem!
— Como você sabia que estas eram uma delas?
— Eu não sabia!

Ele virou alegremente, e fez com que a moto subisse quase verticalmente no ar. Gaia gritou e agarrou a sua cintura novamente.
Você devia olhar para baixo! — Simon gritou para Gaia. — É impressionante!

Enquanto Vincent se perguntava:
Como vamos explicar isso para o comandante?.

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Just a shot in the dark

"Eu admito que não sou anjo, eu admito que não sou santo.  Eu sou egoísta e eu sou cruel e eu sou cego. Se eu exorcizar meus demônios, bem, meus anjos podem sair também.  Quando eles saem são tão difíceis de achar..."
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